A consciência primordial é percebida no corpo como vibração proveniente da energia biofotônica do cosmo que nos perpassa a todos. Aqui também, como no caso da escuta, relacionada ao som, aprendo a sensibilizar-me para as percepções frequenciais que o corpo recebe e emite. Mais uma vez, e sempre, o caminho é silenciar, recolher o olhar e sentir. O foco mental consciente estabilizado repetidamente, num processo físico aparentemente simples como o respirar, abre as vias fluídicas do corpo para as suas frequências vibratórias benevolentes.
A percepção se amplia paulatinamente levando para um espaço amplo que talvez seja captado como luz, ou como uma corrente elétrica extremamente débil que quer ser ouvida e sentida com vigilância redobrada, para ajudar a compor o tecido que sustenta o Universo.
Energia biofotônica é luz em interação com as manifestações da vida. Cada célula do corpo emite essa radiação, medida e demonstrada em laboratório. A propagação de luz transportando essa partícula elementar, o fóton, minúsculo quantum de energia que informa o próprio DNA, revitaliza sem cessar o elo milagroso entre corpo, mente e espírito.
O relaxamento profundo, esse ato de confiança e entrega, sem medo ou ansiedade, porém com intenção de foco atento, dá acesso a essa percepção sensória profunda, pulsação misteriosa que expande a consciência disposta a galgar escalas quiçá multidimensionais.
Ali, chego mais perto do que Patanjali chama de natureza verdadeira e original (sutra I, 3), despida de qualquer superposição e portanto autenticamente livre. Torno-me uma singularidade inserida no Todo. A partir desse lugar, toda ação servirá ao Todo, o dar e o receber fluem a partir do ser e do perceber.
Leitores de Um Curso em Milagres encontrarão esse estado de ser descrito na lição 110 do Livro de Exercícios: “Eu sou como Deus me criou”.
Sabendo disso, uma vez que me torno consciente das camadas de esquecimento e ausência de fé que encobrem o ser essencial, posso relaxar. É nesse lugar que surge o profundo respeito por mim mesma que automaticamente inclui o outro, pelo amor que ali vibra sem esforço.
Plena e delicada fruição do ser e perceber, dar e receber. Ser de luz que sou, seres de luz que somos.