Suave Oculto Sutil

Yoga misterioso

Nessa versão estendida e universal à qual me refiro, o yoga não permite ser aprisionado em categorias, métodos e muito menos atrelado a dogmas.

Muito se sabe, muito se fala, muito se escreve e já se escreveu e compartilhou com o mundo sobre esse assunto, para mim fascinante, que é o yoga. O meu coração intui, não mais do que isso, ser o yoga infinito e estender-se a perder de vista, ainda que busquemos imprimir-lhe uma forma, um jeito de ser, que acaba sendo tão colorido quanto o conteúdo das mentes humanas presentes neste planeta. Nessa versão estendida e universal à qual me refiro, o yoga não permite ser aprisionado em categorias ou métodos e muito menos ser atrelado a dogmas.

Considerado tradição cultural indiana, ao alastrar-se pelo mundo afora, vai descortinando um sem número de ferramentas a serem acolhidas, avaliadas, praticadas e estendidas, descortinando no ser humano, no visível e no invisível, uma surpreendente fisiologia sagrada. Um bio-hacking, como se diria na linguagem preferida desta contemporaneidade tecnológica.

Sendo assim tão literalmente infinito nas suas verdades, que vão se revelando através da experiência e da compreensão de cada um, não me atrevo a querer acrescentar-lhe descrições e interpretações próprias. Isso já vem sendo feito há milênios por muitos mestres, iluminados ou não, por vezes mais, por vezes menos, inseridos em tradições sagradas, cujos ensinamentos chegam à atualidade através de um sem número de seguidores, instrutores e praticantes, sinceros, dedicados e fiéis à sua própria maneira de praticar, segundo o entendimento possível ao estágio evolutivo que a alma de cada um lhe descortina.

Na tradição indiana existem conceitos de grande beleza. Vem-me à mente a imagem da rede de Indra, essa teia cósmica viva e palpitante, tecida a cada nano-instante na infinitude das interações misteriosas do Todo de que participamos, cada uma delas um ponto de luz faiscante compondo as intersecções que sustentam a rede. Tecido deslumbrante que nos acolhe e sustenta e que se estende ao infinito, o próprio Todo do qual somos prole.

Na qualidade de prole do Todo que somos, eis que a composição misteriosa dessa rede está ao nosso alcance e a sua beleza é de nossa responsabilidade na experiência atenta ao agora que revela o milagre. Esse é o segredo da universalidade do yoga, presente na definição – e existem muitas – que considero mais próxima da Realidade, assim mesmo, com maiúscula: yoga como caminho do atrelamento daquele pontinho de luz que é a nossa Realidade Cósmica à realidade terrena de um corpo físico inserido na biologia e na roupagem de uma mente cheia de recursos, porém de foco restrito, frequentemente distraída e iludida, e presa ao condicionamento natural de cada um. Ainda assim, curiosa e passível de ser ampliada, quiçá com ajuda das ferramentas eficazes que o yoga oferece.