Deixo aqui um testemunho de gratidão a inúmeros mestres de muitas vertentes e dimensões. Passo adiante um pequenino e despretensioso resumo prático que me guiou, por vezes sem que eu me desse conta, através das décadas.
Aprendi que o meu pensamento cria a minha realidade, segundo a lei cósmica do mentalismo. Assim, escolho orar e vigiar com plena atenção, dando suporte para o cinturão mental que envolve o planeta, na intenção de contribuir para a harmonização de todos os seres em todos os níveis.
Aprendi que a divina e infinita inteligência flui através de mim, e do outro, de todos os outros, em todos os momentos, e que ela sabe todas as coisas. A decisão correta me será revelada segundo a norma da Fonte perene. Saberei reconhecer a resposta quando ela chegar até mim. Assim, reconheço em mim o que não pode ser aprisionado: a luz que antecede todas as formas.
Aprendi que foi o meu subconsciente inato, a luz da minha natureza original, que criou cada célula do meu corpo no padrão da pureza e saúde perfeitas. É ele que tem o poder de restaurar esse padrão, desde que eu me abstenha de interferir seguindo os modelos condicionadores que me foram ensinados, e que ficaram gravados como crenças na minha mente consciente, racional e lógica, criando em mim uma segunda natureza adquirida e… incompleta. Reforço essa natureza adquirida quando me permito, distraidamente, focar em problemas e queixas.
Aprendi que o ensinamento de isvarapranidhana, a prática da devoção ao aspecto do Divino que reside no meu coração, tal como expõe Patanjali repetidamente nos Yoga Sutras, consiste em abrir os meus ouvidos para a paixão da minha alma, alinhando intenção, entrega e gratidão, de modo a impregnar o meu subconsciente sagrado com a percepção de que possuo saúde perfeita, de que vivo em abundância material e espiritual, e de que me relaciono com todos os seres imersa num oceano de apreciação, perdão e amorosidade compassiva.
Assim, estabelecida em isvarapranidhana, pratico lembrar dessa luz e entregar-me ao Espírito com fervor e aceitação daquilo que sou. É assim que Patanjali abre o seu capítulo sobre a prática do Yoga em si, alinhado às grandes tradições espirituais da humanidade.
É que esquecemos. De tempos em tempos, no entanto, recebemos sinais para aguçar a escuta.
Já dizia Émile Coué (1857-1926), psicólogo francês que influenciou as correntes do pensamento positivo, que a imaginação humana é mais poderosa do que a sua vontade:
“A cada dia, de todas as maneiras e em todos os sentidos, estou melhor e melhor e melhor e melhor.”