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Suave Oculto Sutil

Ídolos

Asmita, eis a personalidade humana esquecida de si, que ainda enxerga todo e qualquer agir como um meio de chegar à sua finalidade, ao objetivo proposto, para então descansar nos louros da ação de sucesso.

O apego visceral, que Patanjali denomina raga, é uma forma de expectativa de resultados que servem à satisfação de desejos, basicamente posse e poder, prestígio e prazer, ídolos que se apresentam sob inúmeras formas e roupagens. Esses alimentam o ego, asmita, a personalidade humana esquecida de si, que ainda enxerga todo e qualquer agir como um meio de chegar à sua finalidade, ao objetivo proposto, para então descansar nos louros da ação de sucesso. Desconhece o agir como um fim em si, aquele que se faz pelo simples prazer do aprendizado, porque ainda não sabe que encarnou para conhecer-se a si mesmo através das experiências dos desdobramentos da vida terrena.

O ser verdadeiro que nela habita é o próprio Senhor e Percebedor, o purusa, nunca nascido, e imutável, mas capaz de manifestar-se em formas finitas através do poder de maya. É assim que o formula Krishna no Bhagavad Gita, ao explicar para Arjuna que aquele que reconhece purusa como sendo o seu próprio Eu Divino finalmente rompe com a crença de ser apenas um corpo.

São corpos, humanos, que agem na Terra para expansão da consciência de um Universo infinitamente diverso. Qualquer ação, qualquer evento, no entanto e como bem sabemos, é passível de resultados cambiantes, e nem sempre coroados de êxito. Não importa onde na vida a experiência surgiu: nos relacionamentos, no trabalho, na saúde.

O apego ao resultado limita as possibilidades da expansão, já que mantemos bem formados no pensamento racional e na mente processadora limitada aos cinco sentidos, os porquês e os comos, e não damos ao Universo a chance de manifestar-se livremente. Ele faz os seus chamados, mas não escutamos a sua voz tênue e delicada, venha ela de Krishna ou do Espírito Santo, porque a mente pensante grita mais alto: “não vai dar certo”, dolorosamente lembrando condicionamentos passados, esses nossos conteúdos subconscientes, para projetá-los num futuro que queremos absolutamente seguro. Melhor que se repita! Difícil intuir que tudo pode ter mudado, como reza a lei da impermanência, já confirmada pelo princípio da incerteza do grande físico Werner Heisenberg. Assim, ignoramos o frescor do momento presente. A cautela limitante ditada pelos paradigmas sociais, científicos, políticos e intelectuais, calcados na competição e nunca no contentamento, insiste em colorir de crenças múltiplas qualquer ação ditada por uma paixão genuína, que periga assim murchar na sequência e acabar no tédio da mesmice. É o apego ao resultado que subverte o livre criar porque o resultado está colado à imagem que fazemos de nós mesmos e do outro.

Mais uma vez o corpo da mortalidade física, que acreditamos separado e único dentro do resto do Universo, engana, com os seus aparentes opostos, determinando para si valores dependentes de constantes e crescentes estímulos externos para tornar-se alguém, na ignorância cega de que já é, para todo o sempre, a própria manifestação de riqueza e amor divinos.