Suave Oculto Sutil

Homeostase definitiva

Eis que chegam até nós as partículas subatômicas, com seus nomes esquisitinhos, com jeito de irrequietas, hiperativas, inconformadas, rebeldes, anárquicas. Não respeitam espaço, nem tempo.

A natureza é repleta de mistérios. Se nos metemos a estudá-la, descobrimos ser impossível conhecê-los todos, tão logo abramos mão da habitual arrogância humana de tudo querer controlar e “definitivar”. Eis um termo divertido para descrever o desconforto das pessoas quando algo ameaça não estar gravado em pedra. “Definitivamos” ao ouvir uma opinião repetida ad nauseam por governos, instituições, autoridades, grandes conglomerados empresariais e financeiros, esse conjunto estrutural que pensamos compor a sociedade, e que denominamos de sistema. A opinião é repetida por servir ao sistema. A grande mídia nela insiste ad nauseam, garantindo consenso com relação à questão e conforto para o consumidor de notícias, “definitivando” as suas escolhas.

A ciência verdadeira sabe que não existe o definitivo. Isaac Newton, o senhor da física do palpável, até chegou a fazer-nos acreditar em leis estáveis, quiçá imutáveis, e gosto de imaginar que ele mesmo não acreditava. O legado que deixou serviu-nos muito bem por alguns séculos, em que pudemos observar, constatar e assim deduzir um grande volume de informações necessárias e úteis à nossa sobrevivência nesta nossa realidade. Mas o que são séculos na história do Universo… uma poeirinha de tempo num espaço frágil e fugidio.

Eis que chegam até nós as partículas subatômicas, com seus nomes esquisitinhos, com jeito de irrequietas, hiperativas, inconformadas, rebeldes, anárquicas. Não respeitam espaço, nem tempo. Aparecem e desaparecem sem cessar; como então produzir e conciliar teorias e métodos que sirvam à “definitivação” que o sistema pede?

A ciência tão certinha vê-se obrigada a engolir o princípio da incerteza, ó céus: o incômodo é grande, beira a dor e pede reversão do olhar, pede um salto gigantesco, o lançar-se no não-definitivo sem resposta, feito só de possibilidades, essas sim, abundantes. Se o olhar puder abrir-se para a pulsação presente no corpo, naqueles preciosos momentos em que a mente se aquieta, vislumbro partes de mim não evidentes e nelas descubro essa brincadeira irrequieta que não se deixa apreender numa bula de remédio.

A brincadeira pede rebeldia e também coragem. Coragem de olhar para algo dentro de mim, e tão maior do que eu, que só pede para ser olhado, perdoado e curado. Antes de manifestar-se no meu corpo como distúrbio ou doença.

Um novo olhar de amor para comigo mesma, perdão e cura para esse fractal do todo que sou eu, faz dissolver todos os medos e a estagnação que adoece. Entro na brincadeira dançante das partículas subatômicas, fótons que buscam equilíbrio e ajuste o tempo todo. A medicina tem um nome para isso, do qual já falava Hipócrates: homeostase, o equilíbrio de todos os aspectos desse meu ser que chamo de humano e que é, repito, tão maior do que eu.

“Definitiva” é a dança cósmica eternamente mutante da saúde perfeita.