Suave Oculto Sutil

BLOG LULIEHLERS

da distração ao foco, do conflito à conexão

Desapego e deslumbramento

A boa prática só conduz até a próxima esquina, logo ali, a dez segundos elevados à potência menos dezessete do ponto de partida. Ao dobrá-la, o panorama já é outro, e pede outro tipo de boa prática. Não me dou conta e também não dou conta. Difícil e sofrido, desapegar do que, conquistado com tanto esforço, aparentemente funcionava tão bem.

A dieta mental de sete dias

O pensamento é a única e real força causativa da sua vida, não há outra fonte. A chave suprema do viver diz: você não muda o seu entorno e as condições da sua vida, a não ser que mude a sua mente.

Preenchidos e rodeados

Considero buscar o meu lugar de descanso. Ali me assento como uma rocha ou como uma montanha, atenta e presente a todo o meu peso físico, à gravidade que me segura num lugar no qual não quero estar, presente ainda na minha aparente pequenez e impotência, nas minhas limitações, dores, e pequenas e grandes mazelas. Abre-se a possibilidade de uma nova qualidade de olhar. Um novo conhecer.

Agenda ou vrittis, o grande construto

Agendas ou caixas, como preferir, são burocracias múltiplas que abrangem a vida, se permitirmos. Tudo encaixotadinho, embrulhado e amarrado, empilhado, planejado, ocupando os espaços possíveis da lida diária.

A certeza incerta do despertar

O despertar sempre está, na luz não-local, ele sempre é, no presente sem tempo. Do nada, abre-se a possibilidade do acesso a esse estado de saber que sei, porque nele habito sem saber.

Yoga misterioso

Nessa versão estendida e universal à qual me refiro, o yoga não permite ser aprisionado em categorias, métodos e muito menos atrelado a dogmas.

Medo e Gunas

Medo é um pouco assim, como um cacto inóspito, forte, resistente e rígido no seu solo árido, ainda assim perenemente alimentado como que do nada, de uma ilusão construída; sobrevive graças à sua capacidade de armazenar águas escuras e estagnadas.

Homeostase definitiva

Eis que chegam até nós as partículas subatômicas, com seus nomes esquisitinhos, com jeito de irrequietas, hiperativas, inconformadas, rebeldes, anárquicas. Não respeitam espaço, nem tempo.

Sem medo

Entrei na vida, não sei em que exato momento, à medida que as células se multiplicavam com precisão geométrica divina, imprimindo no fluido primordial a lei do dharma. Mal sabia eu que havia feito votos de a ela me conformar.

Visão embaçada

O véu de maya ainda é denso. Maya mede, e assim, na medida própria do homem e da mulher, transmite segurança e proteção dentro do construto cuidadosamente armado pela vida afora

SO HAM

O inspirar é, de fato, a retração em direção ao espírito para literalmente buscar inspiração. É um grande recolhimento, sono ou repouso cósmico, pralaya, para que então a expiração manifeste a criação, individual ou coletiva, o manvantara. Com cada nova inspiração trago de volta a criação para espiritualizá-la

Atha, e agora?

É assim que Patanjali abre os seus Yogasutras: Atha yoganusasanam. O que é? Oportunidade de trocar de linha do tempo? Chamado para criar o que realmente me interessa? Ancorados todos por algum tempo num espaço sonhado que é o corpo físico, que energia emanamos de fato sem desconfiar?

Ofensa e culpa

Como tudo nesta dimensão polarizada, a ofensa só existe através dos opostos: carece de um ofensor e de um ofendido que se permite ser ofendido. Sem ele, a ofensa se transforma num mero e interessante ponto de vista

Percepção

O foco mental consciente estabilizado repetidamente, num processo físico aparentemente simples como o respirar, abre as vias fluídicas do corpo para as suas frequências vibratórias

Convite à leitura

Deixo aqui registrado o meu convite à participação numa releitura de vida. É só sobre ela, a minha, que posso falar com propriedade. Se o coração ficou leve, compartilhe, comente, enriqueça o mundo por sua vez, com a sua percepção própria e única. Inscreva-se para receber um textinho a cada quinze dias

Descobrindo nirodha

Em nirodha, as partículas que estreitam a minha percepção retornam ao estado de onda. Essa é a minha potência

Nirodha, antídoto inato

Leva tempo descobrir que o que vejo lá fora é mero reflexo de mim mesmo, manifestado, tornado real, ao vivo e a cores, para que eu possa enxergar o que está dentro de mim.

Aceitação radical

A consciência expandida nada julga e tudo inclui. Eventualmente o perdão primário abarcará o perdão a todos os outros. Sem muito esforço.

O projeto que projeto

Na aceitação, ou não, do evento que me impacta pelos sentidos, está o grande corte do livre arbítrio, a pequenina nesga de liberdade, a chance de viver uma vida grande.

Recolhendo o olhar

Recolha o olhar e apenas receba o cosmo e a si mesmo nele inserido. Dessa forma é o mundo que chegará em você, que é parte intrínseca dele; não desperdice a sua valiosa energia numa troca indiscriminada, permitindo inadvertidamente deixar-se invadir pela fragmentação da multiplicidade que ameaça esfacelá-lo e fazê-lo esquecer o que há de divino em você.

Sob nova direção

Vritti, eis as formas pensamento que brotam da sopa de emaranhados cósmicos, coletivos ou singulares, e que adquirem realidade pela atenção que recebem, porque a minha mente as particulariza segundo a minha experiência passada consciente ou inconsciente.

Cicatriz

Viver implica em lesionar-se com alguma frequência. As feridas que daí resultam são mais, ou menos, profundas. Ao nível físico, são as defesas naturais do corpo que se mobilizam imediatamente, enviando a química necessária à reparação.

Hábito e karma, combustíveis do ego

O ego ora se ofende, quer ganhar, quer ter razão, quer ser melhor, quer ter mais, identifica-se com os êxitos, busca a fama, defende a imagem construída com a qual se identifica.

Bolha e Egrégora

Se foco em alguma coisa, é que busco contornos mais nítidos e compreensão mais profunda. Foco requer intenção e atenção. A qualidade do foco e do seu resultado depende da qualidade da intenção, e da qualidade da atenção que empenho no processo.

Saber que ter saúde é não ter medo

Parou o tempo, parou o espaço e todo o seu conteúdo. Parou a interação, paralisada no medo. Não foi um medo qualquer, foi o medo muito palpável de morrer.

Protoplasma sem medo

Ao ser concebida, repousava em mim. Quieta, já muito viva, sem nenhuma forma, e sobretudo infinita. Só vibração, muita luz e muito som, sim, som. Só flúido fluindo, amoroso e atento. Conectada ao que me sustenta, sem questionar as suas leis imutáveis, segura e protegida portanto, e tão confiante. Receptiva ao que desse e viesse e pronta para tudo compartilhar, estender, criar, só potência ansiando por atualizar-se, comunicar derramando amor.

Desejo que Vibra

O nível de frequência da minha vibração evidencia o meu desejo, sempre latente nas diversas camadas do meu inconsciente, e portanto a nível de alma, a nível de criança interior: desejo fazer determinada experiência. Está tudo certo, porque, uma vez encarnados, é isso mesmo que viemos fazer neste mundo da matéria.

Pecado

Muitos de nós talvez não o saibam: o idioma original do Novo Testamento é o grego. Um tradutor apaixonado pelo idioma grego daqueles tempos, o americano Andy Gaus, apaixonou-se pela simplicidade dos textos originais e decidiu fazer-lhes a releitura por intermédio de uma nova tradução despojada e livre dos inevitáveis dogmas e interpretações teológicas, por vezes criados por autoridades eclesiásticas séculos após a publicação dos livros que compõem essa Escritura.

Fluxo e Cura

Panta rei dizia Heráclito. Tudo flui. Não nos banhamos jamais no mesmo rio, porque o rio jamais é o mesmo. Leva embora prontamente o que foi, ora plácido, ora torrencial, e sem hesitação.